sexta-feira, 9 de julho de 2010


Nós, uma comunidade de humanoides com pouco nexo mas com uma ambição de sentido, imaginamos que um dia iremos governar o mundo!! Nunva ouvi afirmação mais utópica!!!

Primeiro: quem somos nós para acharmos que um dia iremos ditar as regras deste mundo?? E mais: quem é o mundo que nos permite viver nele como se donos da verdade fossemos? ... uma dúvida de cada vez!!

O mundo é só um conjunto de átomos, quimicas incessantes e possibilidades infinitas que nos perturbam a alma e sobre o qual pouco mais temos a dizer...nós somos exactamente o mesmo, acrescentando aos átomos uma necessidade de sermos mais e mais e de acharmos que o mundo orbita à volta do nosso umbigo! Fernando Pessoa diria: "Deixa passar o vento, sem lhe perguntar nada. Seu sentido é apenas ser o vento que passa." Acrescentaria: " sê quem és, sem te perguntares quem és! Sê apenas o Ser que respira!".

Trata-se de uma dança, onde cada um troca os passos que conhece pelos tropeços que farão dele apenas "o vento que passa".

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Parabéns Sofi


Quando o tempo perde as horas,
aproximo-me de ti com a sensação de que o ponteiro do relógio deixou de fazer
...tic-tac...

Aproximo-me da tua luz de coração aberto,
liberta do medo de falhar
...faltar...

Tens asas feitas de penas coloridas,
penas de algodão
...doce...

E não quero que adormeças.
Quero-te assim desperta.
Apaixonada
Corajosa
Obstinada
Rebelde
Doce
Aventureira
Destemida
Atenta

O despertador toca, mas o momento pede
...contemplação...
...emoção...
...coração...

Onde nos conhecemos nós?
Aqui não foi.
Aqui é que não foi porque os anjos não são de cá,
e tu sabes voar!

Voa, voa pena voa.
Dança e voa,
sonha, voa.

Ai como gosto de ti...
Do teu saber Ser,
como ninguém sabe Ser.
É isso que em ti amo.
O Ser que és antes de fazer.

Mas pratica o verbo Ser,
conjuga a tua alma comigo.
Eu Sou,
Tu És,
Nós Somos,
na eternidade marcada pelo principio do Verbo,
Revejo, vejo, prevejo .

Das tuas palavras, construo as minhas convicções.
Ai, como o meu coração fica quentinho perto de ti.

Perto, pertinho, abraçada a ti.
Fazes-me cócegas com o teu algodão doce.
Soltam-se gargalhadas.
Olho para ti e silencio
.
.
.
.
.
Olha para ti e silencia
.
.
.
.
Do Budismo se fez o sufismo,
e o surfista surfa sofregamente,
a onda que vem e que não controla,
aceita-a apenas,
no equilibrio fluido em cima de uma frágil prancha.

E tu meu anjo?
Que ondas irás surfar inspirada no sufismo do Budismo,
que dita o Dharma na lição do Karma?

Sorte a minha ter-te na roda do samsara,
na barriga do Buda ditoso
que ditou o nosso encontro.

É de pessoas como tu que este Planeta precisa.
E de surfistas também,
daqueles que entram no mar
só para estarem mais perto do Sol
quando ele se poe.

Supoe que a borboleta que poisa no teu ombro,
quer aprender contigo?
Ela toca-te ao de leve,
como que a querer apenas fundir-se na tua luz.
Metamorfose alquimica!
A borboleta violeta a vestir-se com o teu arco-iris,
a dar-te as boas vindas.

"Bem-vinda ao planeta Maya,
onde a ilusão da visão nos afasta da certeza subtil do coração.
Persiste,
acredita,
ama,
abraça,
sonha.

Sonha os sonhos que a Vida tem para ti."

Abraço-me à emoção de ter aqui tão perto.
Como é bom ter-te nesta viagem comigo.
Obrigada,
Obrigada,
anjo de penas doces, alma colorida.
Que os teus olhos continuem a ser a luz,
luz ao fundo do túnel.
As estrelas que lá do céu nos pedem que olhemos
para CIMA,
ALÉM,
mais ALÉM.

Aqui é o teu lugar,
e não sendo a tua verdadeira casa,
é um lar emprestado pela Borboleta violeta
para que lhe possas ensinar a voar.

Muitos parabéns meu anjo, plena de singularidades humanas, com asas de borboleta, penas de algodão doce.

Amo-te minha querida Sofia, minha prima do coração :)

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Querida mãe...


Procuro por mim um pouco mais todos os dias. Quero ver-me crescer fiel a mim própria, segura de que as minhas raizes têm o poder de me fazer voar. E de que as minhas asas não me deixarão perder o chão. Dá-me um gozo tremendo seguir o meu norte, mesmo quando à minha volta gritam direcções que não me pertencem.

Hoje vivo um misto de emoções. Feliz porque me observo mais sólida, menos frágil às criticas, mais consciente do caminho que vou trilhando. Triste porque ainda observo na minha mãe comportamentos que deixam o meu coração desconfortável.

Preocupa-se porque não como carne, mas nunca a ouvi perguntar a razão da minha decisão. Diz que sou louca, mas nunca a ouvi dizer que me respeita tal qual eu sou e que me vai amar independentemente das minhas decisões "insanas". Trata-me por Vera, Verinha, Verocas, Amor...mas saberá a minha mãe quem eu sou???

Diz que gostava de me ver num emprego estável, a viver numa boa casa, que não fizesse tatuagens...mas saberá ela quais são os meus sonhos???

Pergunta-me se ganho muito no meu novo emprego....mas o que eu gostava mesmo era de a ouvir perguntar se sou feliz no que faço...

Quando era mais pequena, ensinou-me a andar, a falar, a ser bem educada...mas não me lembro de algum dia me ter ensinado a sonhar... E, apesar de tudo, tenho-lhe uma gratidão profunda. Amo-a mais do que qualquer coisa neste mundo e tenho a certeza que é a melhor mãe do mundo.

A minha mãe é humana e por isso tem todo o direito, diria mesmo dever, de errar. E em cada alvo que não acertou, vejo que deu sempre o seu melhor. Muitas vezes diz-me: "quando fores mãe, vais entender". Quando esse dia chegar , tenho a certeza, vou abracá-la e dizer-lhe: "tinhas razão". Pedir-lhe-ei desculpas por todas as vezes que gritei com ela. Arranjarei uma forma de lhe pedir conselhos.

Em cada falha dela, tentarei falhar um pouco menos. Mas uma coisa não irei esquecer: a forma como ela me abraça quando o mundo desaba à minha volta. E só quero que um dia o meu abraço lhes saiba tão bem quanto o dela sabe a mim. Nesse dia terei aprendido a lição. Amo-te querida mãe.

quinta-feira, 25 de março de 2010

Agora


Alguém me avisou que as coisas podiam não correr assim tão bem. Mas ainda assim decidi arriscar. Se não fosse agora, corria o risco de ser nunca. E se fosse nunca, não seria feliz.

Caminho com um passo esvoaçante, seguro e neutro na forma. Poucos sabem a que vou e evito sequer falar. É chegado o momento de pousar as malas e descansar, aguardar na estação à hora que não está marcada.

Ah, só Deus sabe onde vou e como vou. Eu só sei que desta vez não vou ficar parada à espera que outro alguém conduza o meu destino. Eu vou, mas só Ele sabe quando.
Foto Carlos Gila

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Regresso ao Amor - II

" Este processo pode ser tão doloroso que subitamente nos sentimos tentados a recuar. É preciso ter coragem - a este processo chama-se muitas vezes o caminho do guerreiro espiritual - para aguentar as dores agudas da autodescoberta , em vez de escolhermos permanecer na dor entorpecida da inconsciência, que vai durar o resto das nossas vidas."

Regresso ao Amor, Marianne Williamson

Regresso ao Amor

"Nós temos muitas armaduras que se vão acumulando em frente aos nossos corações - uma série de medos mascarados de outra coisa qualquer. Qualquer pessoa que alguma vez tenha passado por uma psicoterapia séria. está bem ciente de que o processo de crescimento pessoal nem sempre é fácil. Nós temos de encarar a nossa própria fealdade.
Nós temos muitas vezes de ficar dolorosamante cientes da impraticabilidade de um padrão antes de estarmos dispostos a abandoná-lo. Muitas vezes parece que, de facto, as nossas vidas pioram em vez de melhorar, quando começamos a trabalhar profundamente em nós mesmos. A vida não se torna realmente pior; nós é que sentimos mais profundamente as nossas próprias transgressões, porque já não estamos anestesiados pela inconsciência.
Já não estamos distanciados, através da negação ou da dissociação, da nossa própria experiência. Estamos a começar a ver a verdade a respeito dos jogos que realizamos."
Regresso ao Amor, de Marianne Williamson

sábado, 4 de abril de 2009

Um dia...Todos

Enquanto o teu corpo descansa no sofá rijo da sala, olho-te e vejo muito além de ti. Adivinho o teu passado, o acordo que fizémos, as viagens em conjunto das quais não guardamos memória, os segredos que nunca iremos revelar. Sinto-te muito mais próximo sempre que fechas os olhos. "Porque será?" ... pergunto-me. Morres para o mundo, e renasces num outro só teu. Num mundo onde eu não existo. Um mundo escasso em sentido, vazio de formas lúcidas. É teu e eu não posso entrar. E não quero. Fico à porta. Alimento a esperança de um dia ser apenas Um mundo. O mundo de Todos.